Archive for Outubro, 2008
No Ar, A Central de Boatos.
Gente de Deus, eu estive andando pela cidade nestes dias pós-eleição e me assustando com o volume de boatos que surgem.
A cada dia, a cada hora e a cada minuto surge um boato novo.
Você vai andando e os boatos proliferando. É fulano que é amigo de sicrano para a Secretaria de Saúde, o beltrano irmão do atalano para secretário de assistência social, o venano íntimo do passano vai para a educação, o verdano pro meio ambiente, e por aí vai.
Se alguém trabalhou com o Roberto ou com a Márcia ou é conhecido do sobrinho do amigo e pronto, na Central de Boato já virou cargo de confiança. Aparecer na foto ao lado do prefeito é sinal certo de cargo de secretário, ao menos para a Central de Boatos.
Alguém parou para pensar que existe muita coisa para acertar, uma campanha gera despesas e possivelmente dividas, tem de fazer prestação de contas na Justiça, tem pendências legais para serem acertadas, tem compromissos com a imprensa, tem visitas aos apoiadores, tem compromissos partidários, tem que dar atenção à família, tem até de descansar.
Durante a campanha cada candidato sacrificou um pouco, ou muito, do seu tempo com os objetivos eleitorais. E nessa fase pós-eleitoral ainda vai haver muitos compromissos.
A ansiedade de quem trabalhou ou se envolveu diretamente com a campanha é muito grande. No caso de Guaxupé é compreensível a ansiedade de todos que votaram pela mudança.
Antes de indicar nomes para a administração é necessário montar uma equipe de transição que possibilite nas próximas semanas conhecer detalhes da administração municipal. O novo prefeito e sua equipe terão de saber dos problemas, gargalos e também conhecer das capacidades de pessoas que já atuam em cada área.
Só depois de ter este amplo diagnóstico em mãos da realidade administrativa de Guaxupé é que será possível iniciar a montagem da nova estrutura administrativa.
Visando acertar na escolha da equipe, Roberto deve estar ouvindo os eleitores, os colaboradores da campanha, os partidos e parceiros políticos, seus companheiros do PT de Guaxupé, assim como o pessoal das administrações da região, em especial de Alfenas, Varginha, Alterosa, que passaram por essa experiência da transição e da administração.
Um prefeito que ganha uma eleição histórica como foi o caso de Guaxupé, vai fazer de tudo para acertar sempre. Roberto sabe que para cada pessoa chamada para colaborar na administração, vai descontentar alguns outros. É inevitável, pois certamente existem centenas de pessoas com muita capacidade e vontade de colaborar nesta mudança, mas poucos cargos de indicação do prefeito.
Pois é, se alguém está fazendo lobby e trabalhando para ser indicado é bom ficar esperto para o seu nome não chegar a Central de Boatos. Os nomes dos secretários e assessores deverão estar estrategicamente preservados dos holofotes.
Uma velha raposa política costumava dizer que a melhor maneira de queimar um ministeriável é divulgar publicamente o nome do tal, como tal.
Muita paciência nessa hora, para não se tornar o secretário que foi sem nunca ter sido.
3 comments Outubro 18, 2008
Fator da Vitória – Um Empurrãozinho do PMDB
Início aqui uma série de textos sobre os fatores diversos que levaram a vitória, histórica, de Roberto Luciano e Márcia Zampar nas eleições Guaxupé 2008.
Na política uma vitória se inicia muito antes das eleições e depende de um amplo planejamento estratégico que envolve estudos sobre: o histórico político local aonde vai se desenvolver a campanha, a conjuntura local e, por fim, os atores envolvidos na campanha, entre eles destacam-se: o candidato, o partido do candidato, os aliados, os adversários, os formadores de opinião e, principalmente, os eleitores.
Bem não estamos fazendo um planejamento eleitoral, mas analisando os erros que os adversários do PT realizaram nos desenrolar da campanha.
Então vejamos o caso do PMDB.
O PMDB é um partido tradicional na cidade, desde 1982, sempre esteve disputando todas as eleições municipais com candidato próprio.
Pois bem, não é de hoje que o PMDB tenta “namorar” o PT. Na primeira tentativa, em 1988 quase deu namoro, mas o PT acabou sob intervenção da direção estadual que não concordou com a aproximação entre os dois partidos.
Depois deste fato, houve sempre um distanciamento entre PT e PMDB.
O PMDB foi sofrendo um lento e desgastante processo ao longo dos últimos anos. Nesse processo algumas lideranças peemedebistas se afastaram do partido. O afastamento do vereador Jorginho, principal liderança jovem do PMDB, talvez seja o mais evidente, mas não foi o único.
Depois de 12 anos longe do poder, alguns viam a necessidade de renovação. Essa possibilidade de renovação aproximou de maneira consistente PT e PMDB. No entanto, o PMDB avaliou que poderia ganhar muito fácil, não valorizou adequadamente o potencial do PT e o momento histórico. E esse foi um primeiro e grave erro.
Muitos petistas descontentes com a possível aliança com o PMDB e vislumbrando encabeçar uma via alternativa trataram de incentivar o rompimento com o PMDB.
O candidato Barreto é o que o PMDB podia oferecer de melhor a população. Foi vice de Zeitune, era confiável ao eleitorado do PMDB e tinha o perfil de homem simples, do povo. No início da campanha fui questionado sobre como via as chances de Barreto, eu disse que acreditava que Barreto já estava no teto das suas possibilidades de intenção de voto. Para ele poder subir e poder ganhar as eleições dependia de trazer consigo algo de novo. O novo seria o apoio do PT.
A partir do momento que o PT rompeu sua pré-aliança com o PMDB, o grupo de Barreto buscou o apoio de um grupo de partidos encabeçados por João Araújo, um dentista que buscava seu espaço na política local, mas que ainda não era uma figura totalmente conhecida no cenário de Guaxupé. No decorrer da campanha, este se mostrará mais um grave erro, pois segundo dados do Ibope, a figura do vice pode ter custado muitos votos a menos para o candidato a prefeito do PMDB.
Ainda na pré-campanha, enquanto seus virtuais adversários aproveitam as entrevistas da rádio 87FM comunitária, Barreto adia convites para ir a entrevistas. A deixa está dada aos adversários, é preciso forçar os debates para expor possíveis fragilidades de Barreto com relação à imprensa.
Na campanha muitos erros vão se sucedendo. Barreto tenta várias vezes negar sua proximidade com Zeitune. Tenta se colocar com independente, mas não cria uma identidade política própria.
No uso da TV, o enquadramento do candidato o faz ficar mais distante do eleitor. Poucas vezes aparece em close e big close, recursos da TV que trazem o candidato para perto do eleitor e passando mais veracidade para quem está assistindo. Um olhar mais direto, falando diretamente com você.
Outra falha grave é o fato de não terem explorado a força do PMDB junto ao governo Lula. O PMDB encabeça mais ministérios importantes que o próprio PT, como o da Saúde. Tinham que colocar o ministro falando o que ele faria para ajudar a resolver os problemas da saúde em Guaxupé.
Outro partido da base de Barretinho era o PP que comanda o Ministério das Cidades. Este ministério é o grande fazedor de obras do Governo Lula, obras de saneamento, de infra-estrutura, de habitação, de trânsito e muitas outras. Inexplicável não usar o ministro para falar o que poderia ser realizado por ele em parceria com Barretinho em Guaxupé.
Várias cidades usaram a força de ministros de Lula na campanha, em BH, o candidato Leonardo Quintão usou a força dos ministros do PMDB para forçar um segundo turno com o poderoso candidato de Aécio e Pimentel.
Os candidatos a vereador da base de Barretinho pareciam soltos, a campanha não tinha uma unidade. A campanha demorou a escolher um adversário e entrou no jogo de ataques com Tadeu, o que ajudou a alavancar Roberto Luciano como o candidato das soluções.
O PMDB não conseguiu fazer a analise sobre o novo cenário político e a viabilidade de Roberto. Tenta desqualificar as enquetes, depois tenta desqualificar o Ibope e por fim tenta colar denúncias diversas na imagem de Roberto, imagem esta já consolidada como uma solução viável.
O PMDB não percebeu que seu discurso soava vazio junto a maioria da população e apostou no próprio discurso. Pior que isso, acreditou num discurso que não convencia muita gente.
A somatória de erros fez com que o PMDB perdesse mais de um terço de seus eleitores fiéis. Estes erros custaram a vitória pela quarta vez ao PMDB e abriram caminho para consolidação de um novo adversário.
E tem mais uma notícia ruim para o PMDB, como na política não existe vácuo o PT poderá ocupar o espaço do PMDB entre o eleitorado que já vota em Lula. Se Roberto conseguir repetir os passos de Lula, o PT entrará de vez no eleitorado mais “povão”, eleitorado este que até a eleiçãod e 2004 esteve em grande parte com o PMDB.
1 comment Outubro 9, 2008
Fator da Vitória 01
Logo mais vou estar iniciando uma série de comentários sobre os fatores diversos que levaram a vitória histórica da coligação O Futuro É Agora (PT e seus aliados: PV, PR, PHS, PMN, PRTB, PTN e PTdoB).
Como me pautei até agora, ou seja, sem as cores e paixões políticas e observando do ponto de vista do marketing político e da comunicação.
Vou começar analisando os fatores externos, no caso os erros do grupo adversário encabeçado pelo PMDB.
Ainda hoje. Pode aguardar.
Add comment Outubro 6, 2008
Venceu Quem Fez A Melhor Campanha!
Pois é gente, problemas técnicos tiraram minha bola de cristal do ar ontem.
O que eu iria dizer era o que todo mundo já sabe agora.
Venceu quem soube se posicionar de acordo com o sentimento popular.
Venceu quem soube ouviu a população e propor as soluções que a população está esperando há 20 anos, ou mais, e nunca foi ouvida, muito menos atendida.
Venceu quem soube utilizar melhor o marketing político e quem teve uma comunicação mais profissional.
Venceu quem teve parceiros com maior apelo popular e soube utilizá-los. Pesou e muito a força de Lula. É bom lembrar que nas duas últimas eleições, o presidente teve apoio de cerca de dois terços do eleitorado local.
O balanço desta eleição não pode se resumir a poucas linhas, existem aspectos que mostram erros dos dois grupos tradicionais e muitos acertos do grupo que se uniu em torno do PT e de Roberto Luciano.
Este balanço não pode ser feito no calor da campanha e sem dúvida estaremos analisando mais friamente todos os lances dessa campanha histórica em Guaxupé.
O povo foi pra rua comemorar sua a vitória. Depositou suas esperanças na mudança apresentada pelo PT e pela coligação O Futuro É Agora!
A responsabilidade está lançada sobre os ombros de Roberto Luciano, Márcia Zampar e sua equipe.
Cabe a eles compartilhar o poder com o povo que os elegeu, isso sim será a grande novidade da política de Guaxupé.
3 comments Outubro 6, 2008
Hoje vai ter muita novidade no blog. Aguardem!!!
Conforme prometido hoje vai ter muita novidade no blog.
Aguardem!!! Aguardem!!!
Add comment Outubro 4, 2008
Um Brinde à Imprensa
Dias desses vi uma reportagem que falava de uma pequena cidade onde os três candidatos ao cargo de prefeito visitavam a casa de cada eleitor levando suas propostas.
Sem rádio, sem TV ou jornais, cabia aos próprios candidatos e seus cabos eleitorais a divulgação de propostas e diferenciais de cada candidatura.
Evidentemente a cidade em questão é uma pequenina cidade, onde ainda é possível este contato pessoal entre eleitores e candidatos. A existência de veículos de comunicação de massa facilita a divulgação das propostas, principalmente em uma grande cidade, mas mesmo em cidades médias e pequenas. Seria impossível ao candidato falar, em cada casa, durante horas sobre cada item de seu Programa de Governo.
O papel dos meios de comunicação fica cada vez maior. TVs, jornais, rádios, revistas e internet ampliam a informação aos eleitores e as oportunidades de divulgação aos candidatos.
Muitas vezes esta informação parece excessiva e confunde o eleitor, mas é fundamental para que cada um faça sua escolha.
Os políticos e seus partidos também possuem dificuldade em utilizar todos os meios de comunicação e muitas vezes usam de tudo, mas usam mal.
Em Guaxupé, cabe um destaque aos meios de comunicação. Os jornais (Correio Sudoeste, Folha do Povo e Jornal da Região) mostraram-se abertos a divulgação de todas as candidaturas, mostrando os acontecimentos e repercutindo os fatos gerados pelas diferentes candidaturas.
Com um acompanhamento mais permanente da política local, a 87 FM veio apresentando o cenário pré-eleitoral desde o início do ano de 2008.
Um fato histórico foi a realização de debates na Rádio 87 FM, na Rádio Clube AM e na TV Sul. Muito cobrado nas eleições 2004, os debates não aconteceram. Nestas eleições 2008, houve uma abertura possibilitada por uma série de fatores que levou os veículos a promoverem os debates.
Com total imparcialidade, esses veículos se destacaram nestas eleições, ganharam audiência e ampliaram credibilidade.
Independente do resultado político das eleições, as rádios 87 FM e Clube AM, além da TV Sul são grandes vitoriosas, ao se inserir definitivamente no jogo democrático da política de Guaxupé. Quando deixam de ser divulgadores de resultados, os veículos de comunicação se tornam em arejadores de idéias.
Add comment Outubro 3, 2008
Vereador, qual o papel deste cidadão?
Estamos a poucas horas de o eleitor exercer seu o democrático direito a escolha de seus dirigentes municipais.
Em cada cidade mandatos de prefeitos e vereadores serão renovados por mais quatro anos.
Tivemos até aqui quase 90 dias de campanha eleitoral, onde vimos passar por nossas casas, impressos, carros de som, cabos eleitorais, o som do rádio, a imagem e o som da TV e em algumas ocasiões os próprios candidatos nos trazendo pessoalmente suas propostas e compromissos.
Mas o que de fato pode fazer o seu vereador? Depois de acompanhar essa maratona eleitoral fica a impressão de que uma boa parte dos candidatos não sabe o que é o verdadeiro papel do vereador, ou então não souberam transmitir esse conhecimento ao eleitor através dos meios de comunicação.
As propostas apresentadas, muitas vezes, revelam uma ingerência de poderes. Os candidatos a vereador dizem que “farão” tanta coisa que deveriam ser candidatos a prefeito. O vereador não faz, o vereador propõe.
O papel de vereador é definido pela Constituição Brasileira e suas principais funções é fiscalizar as ações do poder executivo e propor projetos de lei, que, se aprovados, tornam-se leis.
O vereador deve ter capacidade de propor e defender suas propostas, além de analisar outras propostas que virão do executivo ou de iniciativas de leis populares.
Com o tempo se criou uma idéia de que o vereador deve ser um “leva e trás”, uma pessoa que intermedia o dialogo entre o prefeito e parcela da população.
Ao invés de fazer leis que melhoram a vida de toda população, uma parcela dos vereadores buscam atender a interesses particulares de seus eleitores. Assim, ser próximo ao prefeito cria facilidades ao trabalho do vereador, possibilitando a ele repassar tais facilidades aos seus eleitores fiéis. Ampliando a distorção de papel do vereador temos as tais homenagens, sob a forma de títulos de cidadão ou em nomes de rua. As indicações, mesmo quando justas, acontecem sem nenhuma participação da população.
É Claro que o vereador pode e deve estar próximo da população, deve inclusive criar ferramentas que aproximem o povo das decisões de poder. Mas isto deve ser realizado sem criar dependência, tutela ou clientelismo, deve ser para todos e nunca para atender a interesses particulares.
Assim como os prefeitos e seus vices, também os vereadores são funcionários públicos contratados por um tempo limitado. Uma função que não é uma profissão e que deveria ter limite de reeleições.
A democracia precisa de vereadores que cumpram bem o seu papel, vereadores que proponham leis, que criem ferramentas de democratização do poder, que auxiliem o executivo sendo fiscais de suas ações.
Que as eleições tragam novas atitudes. Que venham estes novos vereadores. Vereadores assim são essenciais.
Add comment Outubro 3, 2008
Democracia com responsabilidade
A democracia é uma forma de governar onde cada cidadão pode expressar suas visões.
Sempre tive minhas convicções e princípios e entre eles o de defender o direito a expressão.
Como já disse, montei este blog Política Com P Maiúsculo sem grandes pretensões de audiência, no entanto já se somam mais de duas mil visualizações.
Tenho recebido elogios, críticas e sugestões. Algumas pessoas fizeram isto pessoalmente, outros deixaram seu comentário no próprio blog e democraticamente eu aprovei.
Partindo da análise e visão política de cada leitor, houve quem me visse como eleitor do Barretinho, do Tadeu e do Roberto. Assim, penso que atingi um dos objetivos, o da imparcialidade do blog. Outro objetivo atingido foi o de fazer minhas análises não do ponto de vista da política partidária, mas das ações de marketing e da comunicação.
Em um blog de política os comentários são um bom termômetro para medir as temperaturas e paixões. São aceitáveis declarações favoráveis a este ou aquele candidato ou questionamentos sobre possíveis incoerências. O que não é possível é aceitar ofensas e ataques, segurei alguns comentários que estavam muito “apaixonados”. Solicitei a advogados amigos, uma análise com base na lei eleitoral dos comentários e depois de pequena edição liberei os comentários. Não houve mudança do sentido das frases e os originais estão na minha caixa de email. Apenas substitui palavras inadequadas por asteriscos.
Claro que se alguém se sentir ofendido poderá questionar os autores dos comentários mais exaltados por suas afirmações. Os nomes, emails e IP das máquinas utilizadas ficam registrados no blog e nos servidores da WordPress.
Democracia é o direito do cidadão se expressar com liberdade suas opiniões e isso o blog Política Com P Maiúsculo garantiu. O blog ofereceu a liberdade de expressão, se houve abusos cada um deverá responder por seus atos.
Add comment Outubro 1, 2008