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Fator da Vitória – Um Empurrãozinho do PMDB

Início aqui uma série de textos sobre os fatores diversos que levaram a vitória, histórica, de Roberto Luciano e Márcia Zampar nas eleições Guaxupé 2008.

Na política uma vitória se inicia muito antes das eleições e depende de um amplo planejamento estratégico que envolve estudos sobre: o histórico político local aonde vai se desenvolver a campanha, a conjuntura local e, por fim, os atores envolvidos na campanha, entre eles destacam-se: o candidato, o partido do candidato, os aliados, os adversários, os formadores de opinião e, principalmente, os eleitores.

Bem não estamos fazendo um planejamento eleitoral, mas analisando os erros que os adversários do PT realizaram nos desenrolar da campanha.

Então vejamos o caso do PMDB.

O PMDB é um partido tradicional na cidade, desde 1982, sempre esteve disputando todas as eleições municipais com candidato próprio.

Pois bem, não é de hoje que o PMDB tenta “namorar” o PT. Na primeira tentativa, em 1988 quase deu namoro, mas o PT acabou sob intervenção da direção estadual que não concordou com a aproximação entre os dois partidos.

Depois deste fato, houve sempre um distanciamento entre PT e PMDB.

O PMDB foi sofrendo um lento e desgastante processo ao longo dos últimos anos. Nesse processo algumas lideranças peemedebistas se afastaram do partido. O afastamento do vereador Jorginho, principal liderança jovem do PMDB, talvez seja o mais evidente, mas não foi o único.

Depois de 12 anos longe do poder, alguns viam a necessidade de renovação. Essa possibilidade de renovação aproximou de maneira consistente PT e PMDB. No entanto, o PMDB avaliou que poderia ganhar muito fácil, não valorizou adequadamente o potencial do PT e o momento histórico. E esse foi um primeiro e grave erro.

Muitos petistas descontentes com a possível aliança com o PMDB e vislumbrando encabeçar uma via alternativa trataram de incentivar o rompimento com o PMDB.

O candidato Barreto é o que o PMDB podia oferecer de melhor a população. Foi vice de Zeitune, era confiável ao eleitorado do PMDB e tinha o perfil de homem simples, do povo. No início da campanha fui questionado sobre como via as chances de Barreto, eu disse que acreditava que Barreto já estava no teto das suas possibilidades de intenção de voto. Para ele poder subir e poder ganhar as eleições dependia de trazer consigo algo de novo. O novo seria o apoio do PT.

A partir do momento que o PT rompeu sua pré-aliança com o PMDB, o grupo de Barreto buscou o apoio de um grupo de partidos encabeçados por João Araújo, um dentista que buscava seu espaço na política local, mas que ainda não era uma figura totalmente conhecida no cenário de Guaxupé. No decorrer da campanha, este se mostrará mais um grave erro, pois segundo dados do Ibope, a figura do vice pode ter custado muitos votos a menos para o candidato a prefeito do PMDB.

Ainda na pré-campanha, enquanto seus virtuais adversários aproveitam as entrevistas da rádio 87FM comunitária, Barreto adia convites para ir a entrevistas. A deixa está dada aos adversários, é preciso forçar os debates para expor possíveis fragilidades de Barreto com relação à imprensa.

Na campanha muitos erros vão se sucedendo. Barreto tenta várias vezes negar sua proximidade com Zeitune. Tenta se colocar com independente, mas não cria uma identidade política própria.

No uso da TV, o enquadramento do candidato o faz ficar mais distante do eleitor. Poucas vezes aparece em close e big close, recursos da TV que trazem o candidato para perto do eleitor e passando mais veracidade para quem está assistindo. Um olhar mais direto, falando diretamente com você.

Outra falha grave é o fato de não terem explorado a força do PMDB junto ao governo Lula. O PMDB encabeça mais ministérios importantes que o próprio PT, como o da Saúde. Tinham que colocar o ministro falando o que ele faria para ajudar a resolver os problemas da saúde em Guaxupé.

Outro partido da base de Barretinho era o PP que comanda o Ministério das Cidades. Este ministério é o grande fazedor de obras do Governo Lula, obras de saneamento, de infra-estrutura, de habitação, de trânsito e muitas outras. Inexplicável não usar o ministro para falar o que poderia ser realizado por ele em parceria com Barretinho em Guaxupé.

Várias cidades usaram a força de ministros de Lula na campanha, em BH, o candidato Leonardo Quintão usou a força dos ministros do PMDB para forçar um segundo turno com o poderoso candidato de Aécio e Pimentel.

Os candidatos a vereador da base de Barretinho pareciam soltos, a campanha não tinha uma unidade. A campanha demorou a escolher um adversário e entrou no jogo de ataques com Tadeu, o que ajudou a alavancar Roberto Luciano como o candidato das soluções.

O PMDB não conseguiu fazer a analise sobre o novo cenário político e a viabilidade de Roberto. Tenta desqualificar as enquetes, depois tenta desqualificar o Ibope e por fim tenta colar denúncias diversas na imagem de Roberto, imagem esta já consolidada como uma solução viável.

O PMDB não percebeu que seu discurso soava vazio junto a maioria da população e apostou no próprio discurso. Pior que isso, acreditou num discurso que não convencia muita gente.

A somatória de erros fez com que o PMDB perdesse mais de um terço de seus eleitores fiéis. Estes erros custaram a vitória pela quarta vez ao PMDB e abriram caminho para consolidação de um novo adversário.

E tem mais uma notícia ruim para o PMDB, como na política não existe vácuo o PT poderá ocupar o espaço do PMDB entre o eleitorado que já vota em Lula. Se Roberto conseguir repetir os passos de Lula, o PT entrará de vez no eleitorado mais “povão”, eleitorado este que até a eleiçãod e 2004 esteve em grande parte com o PMDB.

1 comment Outubro 9, 2008


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